Macondo fica aqui e ali. Nosso ponto pacífico, nossa linhagem de solidão. Pode ser seu quarto, pode ser que não. É lugar grande, fora do mapa. Ache-me aqui quando quiser. Sente-se, estique as pernas e me fale de felicidade.
Amaranta Buendia
mail-me: amarantabuendiaa@yahoo.com.br
msn: andyramona@hotmail.com

Se quiser molhar de chuva, ande
Se quiser morrer de amor, distraia
Se, inesperadamente, quiser beijar, tente
Se olhar no olhos, ame
Se não for trabalhar, mar
Se for verdade, viva
Se for mentira, saiba
Se for desistir, assuma
Se comer demais, durma
Se cair do trapézio, dance
Se quer ser ouvido, escreva
Se for com vontade, serve
Se for gelado, chupe
Se for secreto, guarde
Se for moderno, vista
Se for pesado, esqueça
Se for leve, voe
Se for amor, me avise
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Vendo a TV ontem, pensei: com as devidas e necessárias edições de imagem, todas as vidas são ótimas. A minha, principalmente.
[eu era criança e queria ser a Mulher-maravilha]

Lendo Sin City, de Frank Miller, e com Sandman, de Neil Gaiman, nas mãos. Reler Os Livros da Magia, também de Gaiman. Entorpecer, enfim.

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Atrasados. Sideways é um filme bom pra quem perdeu a coragem. Os Sonhadores é um filme ótimo pra quem quer ser leve. Se for possível, manda-me dizer, que é lua cheia e a casa está vazia.
Adiantados. Sim, eu tenho um lado punk no meio da sambista. Moqueca de Rato no Hey Ho, sexta-feira, vinte e cinco de fevereiro. Garotos Podres no Canto das Tribos, domingo, seis de março. Um dia eu fiz mais do que me indignar.
Tinha um anjo em cima da minha mesa, me vigiando, me contando as novas e as velhas desse outro mundo que não conheço. Então cortei o cabelo pra que ele me visse mais bonita hoje. As chaves não estão no chaveiro que deveriam estar, mas amanhã é um bom dia. Véspera de sábado, quando se dorme até tarde. Há dias não consigo me concentrar, mas as mudanças têm dessas coisas. Estou mais distraída [sim, é possível estar mais distraída ainda], estou mais vitimada pelas palpitações e pelos apertos na boca do estômago e estou feliz, claro.

[há anjos em todos os lugares, quase que só há anjos]
Chico Buarque tem poderes sobre mim. Deve ser algo parecido com ter cócegas no cérebro [como diz um amigo], mas pra mim está perto de prazer palpável, carícia, mão no seio, beijo sem fôlego.
É sempre um grande prazer, Chico.
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A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz?
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão
Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração
[Suburbano Coração - trecho]
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Amanhã terei chaves importantes nas mãos.
Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.
[Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Árias Pequenas. Para Bandolim - XI]
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[e me pergunta sempre, por que tem que ser triste? e eu digo: porque na tristeza tem aquele pesar, aquela beleza que não cabe no riso. É pra dentro ser triste]
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Visitem Hilda, ela é quase um oráculo: http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html. Ouçam com a pele.
Preguiçar. Deixar-se estar numa rede vermelha lendo Sincity. Marvin parece fazer disso o seu destino: matar do jeito dele. Queria ser Goldie e ri com esse pensamento louco. Eu faço do meu destino acreditar. Tudo dará certo, no final das contas, sempre dizem e eu acredito. Uma eterna otimista. Sonhos estranhos e sono entrecortado, tenho que voltar para acupuntura e para ioga. Drogas da vida moderna. Resistirei, até o final, ao Lexotan na farmácia da minha mãe.
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Vejam Sideways.
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Ouçam Light My Fire e façam incendiar.
Finalmente, Donnie Darko assistido. Voltar atrás. Ajustes e consertos. A vida não é ensaio, só em filme. Do que você tem mais medo? O que você não faria por medo? Viajar no tempo seria uma solução [eu teria que ir e voltar quantas vezes?][e todo mundo só se incomodava com o maldito coelho].











André [ou Cavalheiro da Triste Figura], querido amigo,
Esses dias têm sido de saudade. Quando se aproximam os dias em que amigos se encontram, penso em você. Tomar café no domingo a tarde, comer pipoca doce, se encantar com formato de nuvens, ver filmes franceses, ouvir Radiohead. Assim é você, tão longe.
Tem queimado os incensos de canela que te dei? Tem ficado distraído pra ver se esbarra no amor? Quanta sorte nos encontrarmos, naquele dia, com nossas camisas iguais. 'Você vai para o mesmo lugar que eu?'. Alcalina será sempre uma ótima banda. A linha Circular o melhor dos ônibus.
Devo-te cartas variadas, coloridas e cheirosas. Prometo-as.
Beijo-te.
Andrea [ou Amaranta]
SEM NOÇÃO. Ela fala do nome que seus filhos terão. Olha para rostos imaginários, "terá os olhos do pai". Suspiro. Pensa que deveria fugir dali, correr. Há tempo para ajustes. Ter pedaços do corpo quentes de febre no final da tarde. Àquela hora exata. Id. Ego. Alter-ego. Pensa no resultado da biopsia que tem medo de receber no laboratório que nunca atende ao telefone. Sinais. Ela crê em sinais. Resistir. Idiossincrasias. Válvulas de escape. Trident de canela. Perfume de pitanga. Olhos postos em nomes que precisam de fotos. Mas tudo começa porque o amigo liga pra falar que é fim e perguntar qual é o nome que se dá pra essa dor. Ela chora com ele e já não se lembra com nitidez. Mas lembra que passa. Pede que ele tome vodka. Não esqueceu o bem que a bebida faz em certas ocasiões, mas resolveu ser lúcida. O tempo todo lúcida. E não consegue. Pensa nele [no amor] e descobre o sorriso lindo que ele tem. Descobre isso mil vezes, em nove anos. Pensa nas mudanças de atitudes, nas falsas teorias que montou em todo esse tempo e quando Saturno voltar ela já vai ter pensado em tudo. Ser de Libra e ser de Áries. Amor e impulso. Ama tudo o que vê. Acolhe, ampara e monta sua história desses fiapos. Sentimentos aqui e ali. Sente tudo e sente muito. Poderia passar horas falando dessa hora de almoço em que o amigo ligou pra dizer que era o fim. Há bastante coisa pra se dizer sobre os finais, felizes ou não. Mas preferiu falar em terceira pessoa.
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Estou bem aqui, descalça. O mar serenou. Viva Iemanjá e todos os orixás.