Macondo fica aqui e ali. Nosso ponto pacífico, nossa linhagem de solidão. Pode ser seu quarto, pode ser que não. É lugar grande, fora do mapa. Ache-me aqui quando quiser. Sente-se, estique as pernas e me fale de felicidade.
Amaranta Buendia
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[Estou de volta ao ar-condicionado, faz uma semana. Aí as idéias começam a se enquadrar e cabem todas elas em cima da minha mesa. Mas isso é o que eu pareço, não é o que sou.]

[luke chueh é quem desenha]
[Há dias assim, calmos, quase parados no ar. Não estamos acostumamos a eles e devemos, o tempo todo, fazer alguma coisa, nos movimentar, dizem. Entrego-me a esses dias e digo: preguiça, vontade de fazer nada, dormir até meio dia e ficar acordada até três da manhã. Não fui a praia, mas ouvi a chuva. Para que serve o ócio se não para exercitá-lo em tempos de férias? A sociedade do espetáculo diria que estou sendo enganada... ou fui eu quem a iludiu, de propósito? Tenho que arrumar gavetas, lavar a louça, colocar roupa pra lavar, estudar. Não quero. Não saio da minha cama nem por decreto.]

[E sonhar com o dia em que não haverá apenas um dia. Lembram-se das operárias incendiadas? Das condições precárias de trabalho? Bom, mas hoje distribuirão rosas nas lojas e restaurantes...]
